sábado, abril 16, 2011
quarta-feira, abril 13, 2011
domingo, abril 10, 2011
quinta-feira, abril 07, 2011
I feel pretty
Há meninas que não se acham bonitas, ou suficientemente magras, ou espertas, ou outra coisa qualquer, porque lhes dizem que não são bonitas, ou magras, ou espertas e elas acreditam.
Algumas destas meninas entram em processos de auto-destruição. Algumas salvam-se.
Hoje conheci uma menina que (por enquanto) se safou porque deixou de acreditar no que alguns lhe diziam. E porque outras pessoas lhe devolveram outra imagem, uma imagem mais real e mais bonita, como ela é.
Quando eu tinha 5 ou 6 anos, não sei bem, um amiguinho mais novo disse-me, numa daquelas zangas normais em crianças, que era feia. E eu, que nunca me tinha passado pela cabeça tal coisa porque fui na primeira infância uma criança cheia de auto-estima, fiquei com dúvidas.
Lembro-me de ter sido apanhada pela minha avó a olhar fixamente, talvez a chorar, para o meu reflexo no espelho da casa de banho, em casa dela, numa daquelas maravilhosas e longas tardes de sábado. Perguntei-lhe se eu era feia e ela, claro, disse que não, não era nada feia. E eu acreditei. Pelo menos até à adolescência, quando as dúvidas regressam com outra intensidade. Mas então já estava protegida da malidicência.
quarta-feira, abril 06, 2011
nódoas negras
Tenho as pernas cheias de nódoas negras, uma delas é do tamanho da China e já passou por todas as cores.
Coisas que acontecem quando se cai. E eu caio muitas vezes.
Lembro-me quando torci pela primeira vez um dos meus pequenos e frágeis pés. Devia ter 12 ou 13 anos e ia de boleia para casa com um vizinho e amigo dos meus pais. Quando entrei no carro, no sítio onde devia pôr os pés havia um enorme garrafão. Não sei como fiz, ao tentar encaixar-me no carro, coloquei mal o pé e pumba! torcidela.
A dor era terrível, o pé inchou e ficou vermelho, sentia dentro do sapato o sangue a latejar. Mas mantive-me calada e serena, sem dar um ai. Ninguém deu conta. Quando saí do carro mal conseguia pousar o pé no chão, mas continuei como se não fosse nada, e só quando cheguei a casa a dor tomou conta de tudo.
Gelo, muito gelo, ligaduras elásticas, pomadas. Um ritual que repito com alguma regularidade.
Desta vez também adiei a dor. Mal caí senti dores terríveis, mas levantei-me e continuei a fazer o que tinha de fazer, como se nada fosse, sem saber se tinha sangue a escorrer pelas pernas, se a coisa seria mais grave do que parecia. Estava a meio de um espectáculo e só quando sai de cena a dor veio.
Faço isto muitas vezes: adiar a dor. Agora não, que tenho mais que fazer; estou ocupada, não posso. Mas ela vem, a puta da dor, vem sempre.
Gelo, muito gelo, ligaduras, pomadas... Rituais.
Coisas que acontecem quando se cai. E eu caio muitas vezes.
Lembro-me quando torci pela primeira vez um dos meus pequenos e frágeis pés. Devia ter 12 ou 13 anos e ia de boleia para casa com um vizinho e amigo dos meus pais. Quando entrei no carro, no sítio onde devia pôr os pés havia um enorme garrafão. Não sei como fiz, ao tentar encaixar-me no carro, coloquei mal o pé e pumba! torcidela.
A dor era terrível, o pé inchou e ficou vermelho, sentia dentro do sapato o sangue a latejar. Mas mantive-me calada e serena, sem dar um ai. Ninguém deu conta. Quando saí do carro mal conseguia pousar o pé no chão, mas continuei como se não fosse nada, e só quando cheguei a casa a dor tomou conta de tudo.
Gelo, muito gelo, ligaduras elásticas, pomadas. Um ritual que repito com alguma regularidade.
Desta vez também adiei a dor. Mal caí senti dores terríveis, mas levantei-me e continuei a fazer o que tinha de fazer, como se nada fosse, sem saber se tinha sangue a escorrer pelas pernas, se a coisa seria mais grave do que parecia. Estava a meio de um espectáculo e só quando sai de cena a dor veio.
Faço isto muitas vezes: adiar a dor. Agora não, que tenho mais que fazer; estou ocupada, não posso. Mas ela vem, a puta da dor, vem sempre.
Gelo, muito gelo, ligaduras, pomadas... Rituais.
terça-feira, abril 05, 2011
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