sábado, julho 29, 2017

se já




Amalia Bautista, trad. Inês Dias

segunda-feira, junho 26, 2017

quinta-feira, junho 15, 2017

amor, se for sincero


Saudades não as quero


Bateram fui abrir era a saudade 
vinha para falar-me a teu respeito 
entrou com um sorriso de maldade 
depois sentou-se à beira do meu leito 
e quis que eu lhe contasse só a metade 
das dores que trago dentro do meu peito 

Não mandes mais esta saudade 
ouve os meus ais por caridade 
ou eu então deixo esfriar esta paixão 
amor podes mandar se for sincero 
saudades isso não pois não as quero 

Bateram novamente era o ciúme 
e eu mal me apercebi de que batera 
trazia o mesmo ódio do costume 
e todas as intrigas que lhe deram 
e vinha sem um pranto ou um queixume 
saber o que as saudades me fizeram 

Não mandes mais esta saudade, 
ouve os meus ais por caridade, 
ou eu então deixo esfriar esta paixão, 
amor podes mandar se for sincero, 
saudades isso não pois não as quero. 

Afonso Lopes Vieira, in 'Antologia Poética' 

domingo, maio 28, 2017

quinta-feira, março 23, 2017

waiting


“I was waiting for
something extraordinary to
happen
but as the years wasted on
nothing ever did unless I
caused it…”


Charles Bukowski

domingo, março 12, 2017

casas

Oh as casas as casas as casas
Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
Elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
Respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas


Ruy Belo

sexta-feira, março 10, 2017

cama


Tracey Emin