quarta-feira, outubro 21, 2009

domingo, outubro 18, 2009

sábado, outubro 17, 2009

eram as estrelas, caminhante,
o mapa que não soubeste decifrar
mas vais continuar e continuar
perdido para sempre.


José Luís Peixoto, A criança em ruínas

quinta-feira, outubro 15, 2009


Jackson Pollock

domingo, outubro 11, 2009

and now, for something completly different (10)


marge simpson na playboy de novembro: não percam isto, rapazes! :)

sexta-feira, outubro 09, 2009

decisões

"Não são as ideias nem as decisões que importam - interessam, mas não importam. É a convicção. É o convencimento. Qualquer decisão é mais eficaz do que a inteligência. O pensamento é um luxo e um atraso.

Há uma experiência que estão sempre a repetir. Quando se remove o córtex a um bicho qualquer, ele deixa de pensar e de duvidar; de se sentir seguro ou não; de medir as oportunidades. E qual é a consequência? Torna-se imediatamente o chefe dos outros bichos. Os pensadores, no reino animal, são seguidores. Foi o que aconteceu com as pessoas com as piores ideias do século XX: Hitler, Estaline, Mao. Foram as que tiveram mais poder e mais mal fizeram. Porque não hesitavam e o nobre ser humano, hesitante, não resiste a quem não hesita.

Cada vez mais se ouve dizer que qualquer decisão, por muito estúpida ("vou deixar crescer um bigode!"), é mais benéfica do que a dúvida mais inteligente. Na verdade, a pessoa inteligente só decide por instantes. A decisão é emitida como os talões de estacionamento. Pode (e deve) mudar a qualquer momento porque, felizmente, nunca se sabe. Aprende-se a não saber. Aprende-se a viver com isso. Aprende-se a ser enganado, de vez em quando, quando se acerta nalguma coisa.

Recuperamos de ter tido razão, naquela vez sem exemplo. Passa-nos. Esquece-nos. A convicção é convincente, mas é perigosa, por ser o contrário da inteligência e da condição humana, que é não ter bem a certeza de quase nada.

Custa - mas assim é que é bonito."


Miguel Esteves Cardoso
um destes dias, no Público



(não estou a conseguir tomar decisões e a máxima que costumo usar - "quando não sabes o que fazer, não faças nada" - também não está a resultar. e não estou a falar de grandes decisões, neste momento a dificuldade atinge as coisas pequeninas e mesquinhas do dia a dia - talvez tenha havido aqui um contágio, e não conseguir decidir sobre as "coisas grandes" tenha invadido as decisões mais quotidianas: o que vestir, o que comer, o que fazer com o tempo de trabalho e o tempo livre. é um coisa perigosa: se por um lado não tomo decisões erradas, também não tomo as certas, fico só por aqui, à espera.)


quinta-feira, outubro 08, 2009

sos


Enfim S.O.S. - Sérgio Godinho





Triste, é muito triste
é demasiado triste
quando
de tudo o que existe
tudo parece
do triste vermelho do S.O.S.

Mais vale estar só
grito num sufoco
socorro, corri
p'ro teu lábio louco
lábios murmurando "enfim S.O.S."

S.O.S.
parece que só se ouve essa palavra
vem de todos os lugares
vem dos mares, vem dos lares
dos altares, dos bazares
vêm alarmes similares
parece que só se ouve essa sirene
fala perene
dentro da nossa voz

Vou de elevador
rumo ao meu oitavo andar
quem, no gravador
dirá que me quer falar?
"Fale só depois do bip: S.O.S. ..."

Nunca ouvi essa voz
p'lo menos que me lembre
desço até à rua
em busca de um timbre
todos me soam iguais: S.O.S. ...

S.O.S.
parece que só se ouve essa palavra
vem de todos os lugares
vem dos mares, vem dos lares
dos altares, dos bazares
vêm alarmes similares
parece que só se ouve essa sirene
fala perene
dentro da nossa voz

Esse que me parece
ser o destino
faz tanta pirueta
e depois o pino
e lê-se ao contrário também: S.O.S.

S.O.S.
parece que só se ouve essa palavra
vem de todos os lugares
vem dos mares, vem dos lares
dos altares, dos bazares
vêm alarmes similares
parece que só se ouve essa sirene
fala perene
dentro da nossa voz