quarta-feira, outubro 07, 2009

"vender emoções"

A fadista Kátia Guerreiro num anúncio publicitário a um banco "disfarçado" de entrevista, diz, a propósito de ser médica e cantora o seguinte:

"Se vivesse só da música sentiria que estaria a vender as minhas emoções. Quero sempre sentir que sou uma mulher livre e que vou para cima do palco para partilhar."

Acho esta afirmação uma absoluta falta de respeito para com os artistas que vivem do seu trabalho e um profundo desconhecimento do que é ser artista.


Nada contra o facto de acumular as duas profissões, pode até ser uma mais valia para o trabalho criativo, embora acredite que os grandes artistas, os geniais, dificilmente podem, porque não conseguem, fazer outra coisa além do seu trabalho em arte. Aliás, será assim que se conseguem as obras de génio, com essa total dedicação, quantas vezes com sacrifícios inimagináveis. (Há sempre excepções, claro.)

Agora, parece-me que nesta afirmação a fadista considera "desprestigiante" viver apenas da música (ou de qualquer outra arte) porque quem o faz "vende as suas emoções".

Pois vende. Porque as emoções são a matéria prima do artista, são o seu trabalho. E como todo o trabalho deve ser pago.

Além disso, não me parece que a Kátia Guerreiro "partilhe" as suas emoções de graça...

terça-feira, outubro 06, 2009

oxossi







(prenda atrasada para os meus irmãos que fizeram anos sexta feira :) e recordar as intermináveis viagens de férias para o Algarve a ouvir uma cassete onde constava este fantástico cavaleiro de aruanda, a balada do louco e outras tantas canções brasileiras dos anos 60. saravá!)




e já agora, sobre oxossi:

"Oxóssi é o arquétipo daquele que busca ultrapassar seus limites, expandir seu campo de ação, enquanto a caça é uma metáfora para o conhecimento, a expansão maior da vida. Ao atingir o conhecimento, Oxóssi acerta o seu alvo. Por este motivo, é um dos Orixás ligados ao campo do ensino, da cultura, da arte. Nas antigas tribos africanas, cabia ao caçador, que era quem penetrava o mundo "de fora", a mata, trazer tanto a caça quanto as folhas medicinais. Além, eram os caçadores que localizavam os locais para onde a tribo poderia futuramente mudar-se, ou fazer uma roça. Assim, o orixá da caça extensivamente é responsável pela transmissão de conhecimento, pelas descobertas. O caçador descobre o novo local, mas são os outros membros da tribo que instalam a tribo neste mesmo novo local. Assim, Oxóssi representa a busca pelo conhecimento puro: a ciência, a filosofia. Enquanto cabe a Ogum a transformação deste conhecimento em técnica.

Apesar de ser possível fazer preces e oferendas a Oxóssi para os mais diversas facetas da vida, pelas características de expansão e fartura desse orixá, os fiéis costumam solicitar o seu auxílio para solucionar problemas no trabalho e desemprego. Afinal, a busca pelo pão-de-cada dia, a alimentação da tribo costumeiramente cabe aos caçadores.

Por suas ligações com a floresta, pede-se a cura para determinadas doenças e, por seu perfil guerreiro, proteção espiritual e material."

segunda-feira, outubro 05, 2009

cindy sherman

quinta-feira, outubro 01, 2009

outra vida





Despediu-se e chorou.

“Filho, não olhes para mim, que estou a chorar.”

Os olhos grandes do menino procuram os da mãe, confirmam as lágrimas.

“Não olhes para mim.
A mãe tem dói-dói na cara, não é nada, filho.”

Limpou as lágrimas e despediu-se.
Deram-lhe um livro, uma ponte, uma companhia.
Com as mãos ainda húmidas acariciou o livro, sentiu-lhe o peso.
Era preciso compor tudo o que estava estragado.

“Não olhes para mim.
Não fiques aí a olhar, filho.”

A paisagem quieta na janela do comboio. O livro nas mãos, páginas paradas à espera, os olhos que voam, o livro, a janela, a criança.
Lá, onde chegar, terá tempo. Outra vida.


(2004)

super-heroínas




http://www.carminagaleria.com/exposicoes/andrea_inocencio

solitude



"Little do men perceive what solitude is, and how far it extendeth. For a crowd is not company, and faces are but a gallery of pictures, and talk but a tinkling cymbal, where there is no love."


Francis Bacon



( obrigada por me compreenderes tão bem.)