quinta-feira, junho 21, 2012

freedom


Elliott Erwitt




"Freedom is what you do with what's been done to you".

Jean-Paul Sartre

quinta-feira, junho 14, 2012

pedaços


Damian Ortega
Cosmic Thing

sexta-feira, junho 08, 2012

excertos

(S., aqui vão os primeiros excertos. podes ler aqui uma entrevista dele.)




"De facto, é possível que alguém se apaixone mais do que uma vez, e algumas pessoas gabam-se - ou queixam-se - de que apaixonar-se e "desapaixonar-se" é algo que lhes acontece (assim como a outras pessoas que vêm a conhecer nesse processo) de modo muito fácil. (...)
Há bases bastante sólidas para se ver o amor, e em particular a condição de "apaixonado", como - quase que por sua própria natureza - uma condição recorrente, passível de repetição, que inclusivamente nos convida a sucessivas tentativas. (...)

 Afinal,a definição romântica do amor como "até que a morte nos separe" está decididamente fora de moda, tendo deixado para trás o seu tempo de vida útil em função da radical alteração das estruturas de parentesco às quais costumava servir e de onde extraia o seu vigor e valorização. Mas o desaparecimento desta noção significa, inevitavelmente, a simplificação dos testes pelos quais uma experiência deve passar para ser chamada de "amor". Não existe um maior número de pessoas a atingir mais vezes os elevados padrões do amor: o que acontece é que esses padrões estão mais baixos. Como resultado, o conjunto de experiências às quais nos referimos através da palavra "amor" expandiu-se muito. Noites avulsas de sexo são descritas por meio da expressão "fazer amor".

A súbita abundância e a evidente disponibilidade das "experiências amorosas" podem alimentar (e de facto alimentam) a convicção de que amar (apaixonar-se, instigar o amor) é uma habilidade que se pode adquirir e que o domínio dessas habilidades aumenta com a prática e a assiduidade do exercício. Pode-se até acreditar (e frequentemente acredita-se) que as habilidades do fazer amor tendem a crescer com a acumulação de experiências; que o próximo amor será uma experiência ainda mais estimulante do que a que estamos a viver actualmente, embora não tão emocionante ou excitante quanto a que virá depois.

Essa é, contudo, outra ilusão... O conhecimento que se amplia juntamente com a série de eventos amorosos é o conhecimento do "amor" como uma série de episódios intensos, curtos e chocantes, desencadeados pela consciência a priori da sua própria fragilidade e curta duração. As habilidades assim adquiridas são as de "terminar rapidamente e começar do início", das quais, segundo Soren Kierkegaard, o Don Giovanni de Mozart era o virtuoso arquetípico.
(...) É tentador afirmar que o efeito desta aparente "aquisição de habilidades" tende a ser, como no caso do Don Giovanni, a desaprendizagem do amor - uma "exercitada incapacidade" de amar."


Zygmunt Bauman
"Amor Líquido"
Relógio d'Água

segunda-feira, junho 04, 2012

sexta-feira, junho 01, 2012

lost cloud


André Kertész, Lost Cloud, New York, 1937



sábado, maio 26, 2012

InterRail



Cartier Bresson


"A realidade é absurda, e mais rápida que a própria sombra.

 Duas pessoas de olhos fechados e mãos em movimento desencadeiam cem milhões de imagens em cada cabeça. Eu a morder-te a boca, o queixo, o pescoço, a puxar-te o cabelo e a barba, a camisa, vejo as silhuetas do tipo-atlético e do tipo-magro, e depois o tipo-gordo que era o meu fantasma, a compota ao lume na cozinha da minha avó, o comboio do primeiro InterRail, os olhos do então namorado, a cor da fórmica há pouco, e só passaram cinco segundos. E tu, com a língua dentro da minha boca, com as mãos nas minhas nádegas, andas onde? Depois do pânico, da ansiedade, da paralisia, fechamos os olhos num beijo como se mergulhássemos, e o filme que isso é quando é. A arqueologia. Saímos outros.

 Então abrimos os olhos e só passaram dois minutos. Ainda seremos outros ou voltámos a nós?"


Alexandra Lucas Coelho
"e a noite roda"
Tinta da China