quinta-feira, abril 05, 2012

na ocupação do mundo pelas rosas


Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.       
  

Natália Correia
  

quarta-feira, abril 04, 2012

beleza


Mapplethorpe





(preciso, urgentemente, de beleza. se possível, participar nela, criá-la, partilhá-la. estou cansada de me manter firme no meio do caos. e um pouco de beleza, como diz o poeta, é fundamental. é preciso que da lama surja o lotus.)

quinta-feira, março 29, 2012

quarta-feira, março 28, 2012

gato

William Holman Hunt 
The Awakening Conscience

domingo, março 25, 2012

chuva

(...)
"Ela abriu a porta e ficou a olhar a chuva, súbita e grossa, que parecia uma cortina de aço. Apeteceu-lhe, de repente, correr à chuva. E, num abrir e fechar de olhos, despojou-se das meias, depois do vestido e das roupas interiores. Ele susteve a respiração. Os seios longos e bicudos, animalmente vivos, que vibravam e saltitavam com os  movimentos de Connie. A sua pele era cor de marfim, sob aquela luz esverdeada. Voltou a calçar os sapatos de borracha, lançou-se, com uma gargalhada louca, numa corrida por entre a chuva pesada erguendo os seios, abrindo os braços em movimentos rítmicos de dança que aprendera muitos anos antes em Dresden. Era uma figura estranhamento pálida, levantando-se, baixando-se, curvando-se. A chuva caía e brilhava nas suas ancas fortes, erguendo-se de novo e correndo com o ventre exposto à chuva, depois vergava-se de novo para que apenas o seu torso amplo e as suas nádegas fossem oferecidas ao homem numa espécie de homenagem, repetindo um preito selvagem.

Ele riu de um modo estranho e despiu-se. Era de mais! Com um leve tremor, desatou a correr exibindo a sua branca nudez na chuva que caía a bátegas e obliquamente. Flossie saltou à frente dele, soltando um latido de alegria. Connie, com o cabelo encharcado e colado à cabeça, voltou o rosto corado e viu-o. Os seus olhos azuis brilhavam de excitação ao mesmo tempo que se voltava e começou a correr depressa com um movimento invulgar pela clareira e pelo caminho abaixo, açoitada pelos ramos encharcados. Corria, mas ele não via mais do que a cabeça dela, encharcada, umas costas molhadas inclinadas para a frente, parecia que voava, e as nádegas roliças reluziam. Uma nudez feminina, receosa e bela, em fuga.

Estava quase a chegar à larga pista, para passeios a cavalo, quando ele conseguiu alcançá-la, colocando o seu braço nu em torno da cintura macia e molhada. Ela deu um grito, endireitou-se e a sua carne suave e macia esbarrou contra o corpo dele. Manteve então voluptuosamente todo colado a ele aquele corpo feminino, macio e frio, que ia aquecendo rapidamente, enquanto as mãos do homem o comprimiam. A chuva escorria pelos seus corpos, que fumegavam. Apertou com ambas as mãos o adorável e macio traseiro de Connie, contra si, com frenesim, tremendo, imóvel sob a chuva. Deitou-a num terreno a meio do atalho, no silêncio ruidoso da chuva, possuiu-a num abraço violento e rápido, num ápice, como um animal. Levantou-se quase imediatamente, limpando a chuva dos olhos.
-- Vamos para dentro -- disse.
Ele corria veloz, seguindo em direcção à cabana, não gostava da chuva. Ela avançava mais devagar, enquanto ia apanhando uma molhada de miosótis e campainhas, corria de vez em quando e ficava a vê-lo fugir dela. (...)"



D.H. Lawrence
O Amante de Lady Chatterley
Europa-América

quarta-feira, março 21, 2012

still

Masao Yamamoto

segunda-feira, março 19, 2012

acordar

The Awakening of Spring 
Carl Gutherz