sábado, agosto 13, 2011

quinta-feira, agosto 11, 2011

quarta-feira, agosto 10, 2011

improvisação


Recebo a luz enquanto caminho
de olhos fechados
encontro-me no espaço
e sou só o tempo em que me dou
ao movimento
em que me sinto e insiro.

Confio no ritmo universal da vida
que guia o meu corpo ao encontro
com outro corpo em que
me espelho, cúmplice.

"Saio de mim para me encontrar"
perco-me no tempo
invento-me no espaço
procuro o sopro,
o respirar.

No espaço em branco reescrevo-me
na memória do corpo encontro
o segredo do movimento imóvel
e sou poema vivo.

2000


(Entre 1999 e 2001 fiz vários workshops de movimento e dança contemporânea, foram vários fins de semana de re-descoberta do corpo, meu e dos outros, do espaço, do tempo, de novas possibilidades de movimento e de pensamento. Frequentemente, quando chegava a casa, com o corpo e a mente ainda em movimento interior, escrevia coisas como a que está aqui. )

segunda-feira, agosto 08, 2011

nu


Eduardo Viana
MNAC

quinta-feira, agosto 04, 2011

no trapézio





Inábeis, sabemos o que é preciso fazer mas vamos no sentido contrário.
Sabemos que, se olharmos melhor, encontramos a tal peça do puzzle mas preferimos tentar colocar um quadrado dentro dum círculo.
Ficamos muitas vezes tristes, solitários. 
Podemos até deixar de tentar, de arriscar. Enchemo-nos de cautelas, jogamos à defesa.
Fingimos estar bem, não queremos ver, tapamos os olhos.
Temos o vislumbre do que pode ser mas não temos mais forças e coragem para nos atirarmos, sem rede, para o vazio.
Precisamos das escolhas da maturidade mas pensamos como crianças e queremos tudo.


É preciso abdicar de uma coisa para agarrar a outra, totalmente, de corpo e alma.
A hesitação é a morte do artista, é a queda do trapézio.
É preciso superar este lado trágico que somos.
É preciso a poesia e a catarse.
É preciso a auto-superação

Março de 2011



terça-feira, agosto 02, 2011

dois de agosto de mil novecentos e noventa e nove

quetzalcoatle, a serpente emplumada


"Serenamente toco no chão com as palavras e não sinto já medo. Estou na terra e ela está em mim. Os meus pés deslizam suaves pelas ervas no chão e não sentem já a diferença que há entre eles e o território em baixo.
Dos pés emerge algo forte, profundo e sólido como a própria terra, e esta energia envolve-me todo o corpo, eleva-me os pensamentos, que fluidos, se misturam com tudo o que me rodeia.

E vejo as pessoas, sou como elas;
Vejo o rio, deixo-me levar na sua corrente;
Olho o céu e brilho no luzir das estrelas, mergulho na escuridão do universo;
Encontro-me com a Lua e sou só o olhar que lhe dirijo, pertenço-lhe;
Nasço com o sol e a sua luz ilumina-me o espirito, o seu calor derrete-me o corpo, sou só energia;
Oiço a chuva na natureza, sinto a sua fresca humidade, e lavo de mim todas as impurezas;
Mergulho no mar e sou de sal e água, de sol e vento, de luz e fogo, de terra e ar.
Estou aqui e tudo está em mim, sou só este instante breve que passou...

Serenamente, olho o passado e não estou nele; serenamente invento um futuro e ainda não estou nele. Estou aqui, na minha vida, no meu presente, que se altera minuto a minuto, pensamento a pensamento.

Toco o chão com palavras imaginárias, com pés reais e imagens só minhas.
Toco o chão e sinto o meu peso, sinto a gravidade que me empurra para a terra, que me puxa, que me envolve com doces palavras, que me promete uma tranquilidade ainda utópica. Presa ao chão (como réptil?), já não é o desconforto que sinto, mas apenas um chamamento maior, que me aproxima de tudo o que há de bom em mim.

Serenamente, misturo o sonho de voar com a força das raízes que me prendem à terra, e entre a ave que não sou e o réptil que não quero ser, invento um novo espaço, uma nova forma de estar, um pássaro  que voa envolvido no conforto da terra..."

2-08-1999