quarta-feira, janeiro 19, 2011

escrever

preciso escrever, não que isso interesse a alguém (nem à senhora gorda interessa), mas interessa-me a mim, que não consigo escrever o que quero como quero.

quero escrever sobre
compaixão
perdão
mas tudo o que aparece soa a livro de esoterismo barato.

quero escrever sobre
o vazio
ser sem estórias
mas tudo o que aparece soa a livro de auto-ajuda barato.

há temas sobre os quais é difícil ser simples, quando não se pretende (nem se tem talento e conhecimentos para) escrever um tratado filosófico.

é que tenho pensado sobre a compaixão. não a piedade, não a caridade cristã, antes a compaixão budista.
e no perdão. não no arrependimento, antes no sofrimento que é viver sem conseguir perdoar, esquecer.

e tenho pensado sobre a necessidade do vazio, de estar e ser sem história e sem estórias, furar o passado, atravessá-lo, deixar que se desprenda como a pele de uma serpente, para que este momento seja só isto.

que fazer? soa mesmo a esoterismo light, a auto-ajuda barata.
mas está dito.
e eu precisava dizer.

terça-feira, janeiro 11, 2011



Drew Barrymore
por David Lachapelle

domingo, janeiro 09, 2011

entro no amor como em casa

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.


Manuel António Pina
in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde"

(encontrado no facebook)

sexta-feira, dezembro 31, 2010


R. Mapplethorpe


 

à procura do menor espaço entre intenção e gesto.

à procura da acção que faz do corpo, poesia.

à procura do lugar onde sou, faço, ajo.



a curiosidade é o que nos salva.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

setembro

Vou pela rua e penso
Que devia ter aceitado a mão
Que generosamente me estendeste.

Mas é Setembro.
O sol põe-se, o verão já passou, acabou-se a poesia.

Vou pela rua e vejo
Uma janela florida, a gaiola vazia numa varanda.
Entro em casa, descalço-me, abro mais uma conta.
E escrevo isto.

domingo, dezembro 26, 2010

quinta-feira, dezembro 23, 2010



                                                                    
Mappelthorpe