"Se eu fosse tradutora de paisagens, diria que as águas do rio procuram embalar as árvores num sono leve e sereno…mas talvez traduzisse assim por ser esse o sono que quero para mim."
RJC
muito bonito!
domingo, janeiro 20, 2008
sábado, janeiro 19, 2008
sexta-feira, janeiro 18, 2008
quarta-feira, janeiro 16, 2008
domingo, janeiro 13, 2008
Arestas
"A vida tem muitas arestas irregulares: arestas que nos atraem como um precipício sobranceiro a um desfiladeiro convidativo; arestas que nos repelem como a tampa dentada de uma lata de metal aberta. Existe uma tensão entreo desejo de querer ver o limite, de senti-lo, de percorre-lo com as nossas mãos, e o desejo de recuar para a segurança, para o conforto. Podemos sentir-nos indecisos, hesitantes. Podemos sentar-nos e ponderar sobre o nosso próximo passo. Podemos desviar o olhar do limite e fingir que ele não se encontra ali. Mas apenas podemos manter-nos assim durante um curto espaço de tempo, na medida em que, mais tarde ou mais cedo, será necessário tomar uma decisão.
(...)
Não são as fronteiras do meu corpo que determinam quem eu sou, o que posso fazer e aonde posso ir. São as arestas de toda a gente e de todas as coisas que esculpem as minhas possibilidades.
Estou a falar como um poeta porque... bem... porque estou a evitar falar da aresta imperfeita da minha vida - no entanto, quero falar-lhe dela. Não me deterei naquilo que lhe vou contar. Não vou demorar interminavelmente na periferia. Não vou estar com rodeios, como os poetas costumam fazer. Vou limitar-me a contar-lhe, de chofre.
(...)
Devo, no entanto, adverti-lo de que isto poderá não ser agradável. Aquilo que estou prestes a contar pode ser difícil de escutar. Poderá pensar que é horrível e grotesco. Se for esse o caso, pode desviar o olhar ou fugir - compreenderei. Por vezes não estamos preparados para nos confrontar com coisas desta natureza.
Bem, estou pronta.
... espero um pouco. Está com ar de quem pensa ir embora. Por favor, não fuja tão depressa. Não é assim tão horrível como possa pensar.
(...)
Talves não seja necessário eu contar-lhe. Posso esconder o problema bastante bem. Vou encobrir as arestas. Já o fiz outras vezes. Podemos fingir que nada está diferente. O que acha? Ainda quer que lhe conte?
Quer? Claro que quer! Queremos sempre espreitar o que se encontra do outro lado - não é verdade?
(...)
Está pronto? Tem a certeza? Vou dizer estas palavras e depois desviar o olhar... porque não quero vê-lo fugir. Não quero vê-lo fugir de mim sem sequer olhar para trás. Espero, sinceramente, que quando deixar de esconder os meus olhos e a minha vergonha, ainda aqui o encontre.
Vou dize-lo agora.
Só tenho duas patas."
"À procura de Firebelly", J.C. Michaels
(...)
Não são as fronteiras do meu corpo que determinam quem eu sou, o que posso fazer e aonde posso ir. São as arestas de toda a gente e de todas as coisas que esculpem as minhas possibilidades.
Estou a falar como um poeta porque... bem... porque estou a evitar falar da aresta imperfeita da minha vida - no entanto, quero falar-lhe dela. Não me deterei naquilo que lhe vou contar. Não vou demorar interminavelmente na periferia. Não vou estar com rodeios, como os poetas costumam fazer. Vou limitar-me a contar-lhe, de chofre.
(...)
Devo, no entanto, adverti-lo de que isto poderá não ser agradável. Aquilo que estou prestes a contar pode ser difícil de escutar. Poderá pensar que é horrível e grotesco. Se for esse o caso, pode desviar o olhar ou fugir - compreenderei. Por vezes não estamos preparados para nos confrontar com coisas desta natureza.
Bem, estou pronta.
... espero um pouco. Está com ar de quem pensa ir embora. Por favor, não fuja tão depressa. Não é assim tão horrível como possa pensar.
(...)
Talves não seja necessário eu contar-lhe. Posso esconder o problema bastante bem. Vou encobrir as arestas. Já o fiz outras vezes. Podemos fingir que nada está diferente. O que acha? Ainda quer que lhe conte?
Quer? Claro que quer! Queremos sempre espreitar o que se encontra do outro lado - não é verdade?
(...)
Está pronto? Tem a certeza? Vou dizer estas palavras e depois desviar o olhar... porque não quero vê-lo fugir. Não quero vê-lo fugir de mim sem sequer olhar para trás. Espero, sinceramente, que quando deixar de esconder os meus olhos e a minha vergonha, ainda aqui o encontre.
Vou dize-lo agora.
Só tenho duas patas."
"À procura de Firebelly", J.C. Michaels
segunda-feira, janeiro 07, 2008
ramos

entrançado de ramos
ligações
nós
dentro e fora de mim
(numa árvore seca
crescerão as folhas?)
nem sempre o céu é azul
e brilhante
nem sempre um pássaro
nos ramos
decido
avanço
perco-me
demoro
pouso num ramo da memória
tangerinas
e a srª do mercado (edite, aurora, odete?)
sacos de plástico cheios de fruta
e pão fresco
o cheiro a farinha
papel de embrulho
grosso
o austin vermelho
a estrada de curvas e o nevoeiro
um galão para a professora
ao meio da manhã
a chuva e o vidro da janela rachado.
(um pedra atirada a chamar-nos da preguiça)
os sábados, sempre os sábados.
preciso da primavera.
(e de esperança)
quarta-feira, janeiro 02, 2008
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