segunda-feira, fevereiro 21, 2011
sábado, fevereiro 19, 2011
sábado
Repito-me, imito-me,
nos gestos
percursos
sonhos
e orações
de outrora.
Inutilmente.
Só a reinvenção é possível.
Na espiral
para cima e para dentro:
o círculo que se abre e fecha
repetidamente
e nunca se repete.
(se fechar os olhos posso caminhar nas águas do mondego. a luz no rio, idêntica ou nova, toca-me, e não sei se é a memória ou a brisa que enchem os meus olhos de lágrimas.)
nos gestos
percursos
sonhos
e orações
de outrora.
Inutilmente.
Só a reinvenção é possível.
Na espiral
para cima e para dentro:
o círculo que se abre e fecha
repetidamente
e nunca se repete.
(se fechar os olhos posso caminhar nas águas do mondego. a luz no rio, idêntica ou nova, toca-me, e não sei se é a memória ou a brisa que enchem os meus olhos de lágrimas.)
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
sábado, fevereiro 12, 2011
quinta-feira, fevereiro 10, 2011
O tempo nos parques
O tempo nos parques é íntimo, inadiável, imparticipante, imarcescível,
Medita nas altas frondes, na última palma da palmeira
Na grande pedra intacta, o tempo nos parques.
O tempo nos parques cisma no olhar cego dos lagos
Dorme nas furnas, isola-se nos quiosques
Oculta-se no torso muscular dos ficus, o tempo nos parques.
O tempo nos parques gera o silêncio do piar dos pássaros
Do passar dos passos, da cor que se move ao longe.
É alto, antigo, presciente o tempo nos parques
É incorruptível; o prenúncio de uma aragem
A agonia de uma folha, o abrir-se de uma flor
Deixam um frêmito no espaço do tempo nos parques.
O tempo nos parques envolve de redomas invisíveis
Os que se amam; eterniza os anseios, petrifica
Os gestos, anestesia os sonhos, o tempo nos parques.
Nos homens dormentes, nas pontes que fogem, na franja
Dos chorões, na cúpula azul o tempo perdura
Nos parques; e a pequenina cutia surpreende
A imobilidade anterior desse tempo no mundo
Porque imóvel, elementar, autêntico, profundo
É o tempo nos parques."
Vinicius de Moraes
O operário em construção
D. Quixote
Medita nas altas frondes, na última palma da palmeira
Na grande pedra intacta, o tempo nos parques.
O tempo nos parques cisma no olhar cego dos lagos
Dorme nas furnas, isola-se nos quiosques
Oculta-se no torso muscular dos ficus, o tempo nos parques.
O tempo nos parques gera o silêncio do piar dos pássaros
Do passar dos passos, da cor que se move ao longe.
É alto, antigo, presciente o tempo nos parques
É incorruptível; o prenúncio de uma aragem
A agonia de uma folha, o abrir-se de uma flor
Deixam um frêmito no espaço do tempo nos parques.
O tempo nos parques envolve de redomas invisíveis
Os que se amam; eterniza os anseios, petrifica
Os gestos, anestesia os sonhos, o tempo nos parques.
Nos homens dormentes, nas pontes que fogem, na franja
Dos chorões, na cúpula azul o tempo perdura
Nos parques; e a pequenina cutia surpreende
A imobilidade anterior desse tempo no mundo
Porque imóvel, elementar, autêntico, profundo
É o tempo nos parques."
Vinicius de Moraes
O operário em construção
D. Quixote
domingo, fevereiro 06, 2011
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