domingo, setembro 09, 2012

o contrário


Pierre-Paul Prud'hon
The soul breaking the bonds that attach to the earth






"Resist what resists in you and become yourself."

Mahabarata



a vida vem em ondas como mar, principalmente aos sábados.

encosto-me nas almofadas, fecho os olhos, deixo-me divagar, enquanto vejo pedaços do filme Mahabarata e leio pedaços do Padre António Vieira num livro da Inês Pedrosa.

o pensamento torna-se vago, indefinido, como um sonho, e "acordo" quando me parece ver alguma coisa, algo mais à frente, um futuro enevoado.

há dias, estranhamente optimista, vi um laço, daqueles que os cowboys nos filmes atiram ao ar, a agarrar-se e agarrar-me a um futuro bom.

(resistirei mais uma vez ao pessimismo, ao fatalismo, meu e dos outros? 
conseguirei encontrar-me de novo, nos escombros, nas ruínas, nos esgotos, no lixo emocional e superar-me?)

deitada, de olhos fechados mas sem dormir, entro de novo na sonolência criadora de imagens. não sei descrever o que vejo, mas desta vez não é bom. 

estou cansada de tristeza, de desânimo, de indefinições.
estou cansada de esperar que a vida dê outra vez a volta e me coloque no início de qualquer coisa.

quero acreditar que o optimismo, a energia criadora, a alegria da acção, podem ser tão contagiantes como a tristeza e pessimismo em que estamos todos mergulhados. 
mas como?
tão perdidos que estamos não conseguimos ver que o caminho melhor é sempre no sentido contrário: substituir o egocentrismo pela generosidade, o isolamento pela abertura aos outros, ascender ao sonho quando nos empurram para baixo.

fecho os olhos outra vez, deixo o corpo leve, o coração aberto ao que vier.
e no sono-não-sono sei que preciso esvaziar-me ainda mais, para me abrir ainda mais.

e de respiração em respiração, procuro ser o vaso, que recebe e oferece, que se enche e esvazia, sem se agarrar a nada, sem esperar nada em troca.

procuro o caminho irreversível da liberdade.


sexta-feira, setembro 07, 2012

mar






(em agosto fui à praia. em fevereiro, ouvi o mar.)

sábado, setembro 01, 2012

thunderbird



Mad Girl’s Love Song


 I shut my eyes and all the world drops dead;
 I lift my lids and all is born again.
(I think I made you up inside my head.)

 The stars go waltzing out in blue and red,
And arbitrary blackness gallops in:
I shut my eyes and all the world drops dead.

I dreamed that you bewitched me into bed
And sung me moon-struck, kissed me quite insane.
(I think I made you up inside my head.)

God topples from the sky, hell’s fires fade:
Exit seraphim and Satan’s men:
I shut my eyes and all the world drops dead.

I fancied you’d return the way you said,
But I grow old and I forget your name.
(I think I made you up inside my head.)

 I should have loved a thunderbird instead;
At least when spring comes they roar back again.
I shut my eyes and all the world drops dead.
(I think I made you up inside my head.)

Sylvia Plath
(daqui)

segunda-feira, agosto 27, 2012

aldina








 (a Leonor Baldaque tem uma presença cinematográfica muito intensa.)

segunda-feira, agosto 20, 2012

pensar


(imagem encontrada por acaso, não sei quem é o autor)

domingo, agosto 12, 2012