Mostrou-me a carta eu nunca lhe diria
assim o meu amor - um estilo tão
desengraçado metáforas tão
baças - mas ela abriu sobre o papel
o seu mais claro sorriso o sorriso
de ler o melhor poema do mundo.
Sob a minha língua versos e versos
formigavam e o meu amor podia
ser bem dito não estivesse eu certo
de levar em troca elogios - pela
graciosidade do estilo pelas
metáforas bem apanhadas - e
um sorriso desengraçado e baço
parecido com os versos do outro.
António Gregório, American Scientist
terça-feira, março 03, 2009
segunda-feira, março 02, 2009
domingo, março 01, 2009
soneto 130 de Shakespeare
130 sonnet - Alan Rickman
My mistress' eyes are nothing like the sun;
Coral is far more red than her lips' red;
If snow be white, why then her breasts are dun;
If hairs be wires, black wires grow on her head.
I have seen roses damask'd, red and white,
But no such roses see I in her cheeks;
And in some perfumes is there more delight
Than in the breath that from my mistress reeks.
I love to hear her speak, yet well I know
That music hath a far more pleasing sound;
I grant I never saw a goddess go;
My mistress, when she walks, treads on the ground:
And yet, by heaven, I think my love as rare
As any she belied with false compare.
William Shakespeare
imaginação
Procuro na escuridão o centro da carne
Proponho ao meu corpo um fim feliz
Hum, regressar ao corpo
Hum, donde vim
E as mãos estremecem a pele
Derramando sumos doces
Que seria do amor sem imaginação?
Na, na, na, na...
O homem sorria de uma maneira estúpida
O homem estava estupidamente parado
Fez-me lembrar o louco da montanha
Que tinha a cabeça nas nunvens
E não queria ir a nenhum lado
O homen não tiha nada a comentar
Nem mesmo a ausência de peso nos ombros
E quando ao afastar-me olhei para trás
Pareceu-me ver um sobrevivente
No meio dos escombros
Resistes á invasão, resiste-te a ti
E subitamente és tu em chamas
Hum, a forçar o espaço
Onde eu estou nu
Até que último espasmo
Nos vem arrombar as portas
Sem o amor o que seria da imaginação?
Na, na, na, na...
E as estrelas não passam de desejos
Insatisfeitos
Jorge Palma
Proponho ao meu corpo um fim feliz
Hum, regressar ao corpo
Hum, donde vim
E as mãos estremecem a pele
Derramando sumos doces
Que seria do amor sem imaginação?
Na, na, na, na...
O homem sorria de uma maneira estúpida
O homem estava estupidamente parado
Fez-me lembrar o louco da montanha
Que tinha a cabeça nas nunvens
E não queria ir a nenhum lado
O homen não tiha nada a comentar
Nem mesmo a ausência de peso nos ombros
E quando ao afastar-me olhei para trás
Pareceu-me ver um sobrevivente
No meio dos escombros
Resistes á invasão, resiste-te a ti
E subitamente és tu em chamas
Hum, a forçar o espaço
Onde eu estou nu
Até que último espasmo
Nos vem arrombar as portas
Sem o amor o que seria da imaginação?
Na, na, na, na...
E as estrelas não passam de desejos
Insatisfeitos
Jorge Palma
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
and now, for something completly different (7)
Conversa de um casal inglês na hora do chá, em tradução livre (2ª parte)
Ela (pousando a chávena de chá): Concordamos que discordámos.
Ele: Mas será que realmente discordámos?
Ela: O que queres dizer com isso?
Ele (sorvendo mais um gole de chá, com um leve sorriso): Sabes bem que acabas sempre por concordar comigo. Repara, quando dizias que...
Ela: Nonsense!
(Ela levanta-se e dirige-se para a janela. Espreita afastando as cortinas.)
(Silêncio)
Ele (abraçando-a pela cintura): És tão previsível...
(Silêncio)
Ela: Está a chover...
Ele: pois está...
Ela (pousando a chávena de chá): Concordamos que discordámos.
Ele: Mas será que realmente discordámos?
Ela: O que queres dizer com isso?
Ele (sorvendo mais um gole de chá, com um leve sorriso): Sabes bem que acabas sempre por concordar comigo. Repara, quando dizias que...
Ela: Nonsense!
(Ela levanta-se e dirige-se para a janela. Espreita afastando as cortinas.)
(Silêncio)
Ele (abraçando-a pela cintura): És tão previsível...
(Silêncio)
Ela: Está a chover...
Ele: pois está...
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and now for something completly different
precisa-se
(S. saía do carro e quando me aproximei, um som familiar. "estava a precisar de Jacques Brel", disse ela.
pois. S. tem razão, de Jacques Brel, precisa-se.)
"todas as noites encho os meus bolsos de pedras
fecho-me na garagem
e meto a cabeça no forno.
Então adormeço.
- Vamos para a cama, vá, para a cama.
É ele, não gosta que eu durma no forno.
- Para a cama, vá.
Leva-me dia após dia.
Mas não vai aguentar muito mais
não tem vocação para isto.
Quando ele se for embora
chorarei pelas ruas
como uma louca a chupar o meu sangue,
e dormirei por onde calhe."
Miriam Reyes, Bela Adormecida
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