
gosto do natal, da festa, das prendas, das luzes, do frio, da confusão, da preparação das comidas e dos doces, da expectativa, de pôr a mesa bonita para o jantar, dos brindes, do excesso, do calor, da família, da azáfama, das conversas, do pinheiro e da estrela, do presépio, do pai natal.
(saudades de ir apanhar musgo fresquinho aos muros e caminhos com os meus irmãos, de apanhar bugalhos nos arbustos com a minha avó, de fazer enfeites de papel brilhante com a minha mãe, de derreter velas para lhes dar outra forma, de ir à procura de um pinheiro nas matas com o meu pai, de não termos espaço à mesa em casa da minha avó, do pai natal improvisado - barbas de algodão, robe chinês vermelho - e da encenação à volta da sua chegada à meia noite em ponto).
gosto de tudo o que o natal representa, o (re)nascimento, a recuperação da inocência, a generosidade e a troca, a esperança e a abundância, o excesso e a partilha, o regresso da luz (darmo-nos à luz) e do reflorescimento (o inverno prepara a primavera).
mas nesta era de abundância consumista, e ao mesmo tempo asséptica e maníaca pela saúde tinham de vir uns estudiosos australianos dizer que
o pai natal, esse senhor com ar simpático, bonacheirão e generoso deve ser considerado um mau exemplo para as crianças, porque é gordo.enfim.
o natal é uma festa cíclica, de inverno, que já existia antes de ser o natal cristão. marca a passagem do tempo e os ciclos da natureza, ajuda-nos a estruturar o quotidiano, apontando-nos possibilidades de mudança, crescimento e esperança. incita-nos à generosidade e ao desprendimento, à alegria, expansão e receptividade.
celebremos, então.
bom natal!
(ps: parece que tinha aí um erro de português. nunca fui muito boa em gramática. as minhas desculpas às duas pessoas que me "linkaram".)